Como o Buzzfeed pode ajudar o jornalismo tradicional

O jornalismo está sempre em constante mudança. A cada dia, surgem novas tecnologias, novas plataformas, novas formas de apuração e os veículos e seus funcionários precisam estar preparados – e abertos – para essas novas ferramentas. No meio digital, essas novidades aparecem cada vez mais rápido e especialmente as mídias tradicionais demonstram dificuldades para se adaptar.

Além desse problema, os veículos tradicionais enfrentam também a concorrência de sites e blogs que já surgem integrados a esse “novo fazer jornalístico”. O Buzzfeed é um deles. Com uma fórmula simples e divertida, o site conquistou a atenção do mundo inteiro e pode ser a inspiração para as outras mídias.

BuzzFeed_logo

Como funciona o Buzzfeed?

Criado em 2006, em Nova Iorque, o Buzzfeed aborda de tudo um pouco: de política a futebol, de negócios a gifs de animais bonitinhos. A ideia inicial era gerar conteúdo exclusivamente viral, mas, de acordo com o New York Times, com um conteúdo mais tradicional. Em 2011, com a contratação do jornalista Ben Smith, o site passou a produzir reportagens mais sérias, mais aprofundadas, mas sem perder a sua orientação para o entretenimento.

Para se ter ideia, o Buzzfeed arrecadou, em agosto de 2014, 50 milhões de dólares e está avaliado em cerca de 850 milhões de dólares. O site também possui um canal de vídeo que produz conteúdo original em seu estúdio localizado em Los Angeles. No YouTube, são 3.6 bilhões de visualizações e 6.9 milhões de inscritos.

As estrelas do site são as listas – como “Sete formas simples e efetivas de ajudar os refugiados” – e os quizzes – como “Qual fantasma de Harry Potter você é?. Aliás, são essas mesmas listas que, hoje, já são encontradas em sites como O Globo ou Estadão. É claro que, nesses veículos, não será possível encontrar uma postagem sobre cachorros calçando meias, por exemplo. Mas, agora, é muito mais pratico e interativo falar sobre os 10 pontos turísticos mais visitados na Europa.

Todo esse conteúdo é sempre ilustrado com muitas fotos e também com gifs, oferecendo um produto que atende à demanda do atual leitor de um veículo digital: “reportagens” curtas que falam sobre tudo e procuram agradar a todos os gostos.

A influência na mídia tradicional

Como já citado, as listas do Buzzfeed serviram de inspiração para os veículos mais tradicionais. A partir de agora, uma reportagem sobre as cinco cidades mais poluídas do mundo possui grande chance de vir em tópicos e com uma pequena galeria de foto ilustrando cada um dos municípios citados. E de preferência, recheada de links que redirecionem o leitor que deseja um aprofundamento maior.

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Sites como o do Estadão passaram a adotar o formato com listas.

Óbvio que não é viável que essas mídias sigam passo a passo os moldes do Buzzfeed. Afinal, ainda existe uma demanda de leitores que busca textos mais longos e aprofundados – ou as chamadas grande reportagens.

Entretanto, a inspiração no Buzzfeed pode ser uma forma de fisgar o leitor e, a partir dali, fazer com que ele navegue e descubra outros conteúdos. Por outro lado, tal solução não se encaixa no jornalismo impresso.

Para a professora de Comunicação Social, Ediana Avelar, o jornal impresso, como um meio de comunicação, terá que buscar uma solução para manter vivo o seu formato. “O título, o veículo poderá se manter vivo em outras plataformas, principalmente nas digitais. Mas impresso é impresso e digital é digital”.

E qual seria, então, a solução? “Mergulhar profundamente na mente do consumidor para entender as razões da mudança – muito embora sejam óbvias – e tentar identificar o que poderia ser feito de diferente para tornar o produto novamente atrativo”, explica a professora.

Para ela, a relevância está no conteúdo: se for importante para o consumidor, ele permanecerá – seja para o impresso, seja para o digital.

Reportagem: Nathalia Araújo
Revisão: Luan Ramos
Edição: Felippe Retonde
Pauta: Brigida Brito

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