O Jornalismo em expansão nas Redes Sociais

Nos dias de hoje é impossível pensar em jornalismo, seja qual for a plataforma, sem falar de internet. A apuração, pesquisa, entrevistas, entre outras coisas, se faz pelo computador, por ser mais prático. A internet veio como um “poupa tempo” para os jornalistas. As redações tiveram que se adaptar à web, onde se encontra a maior concentração de leitores.

A população, agora acostuma com a instantaneidade, não esperam mais o impresso do dia seguinte ou o telejornal da noite. Nos dias atuais, basta um clique no seu celular, tablet ou computador para ter acesso a todo tipo de informação. Com a correria do dia-a-dia, os leitores querem mais rapidez e maior possibilidade de interação. Com isso, as plataformas de jornais, como o impresso, acabaram migrando para a web. Como exemplo temos o jornal O Globo, que continua com seus exemplares, mas também possui um portal online.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Diferentemente dos demais, a web (que surgiu como meio de defesa americana contra a União Soviética), permite a interação entre os indivíduos e as informações, tendo a capacidade de criar grandes feitos, como os protestos de 2013, onde a organização se firmou através de páginas da rede social Facebook, com confirmações e compartilhamentos.

As redações, que estão em constantes modificações de funções e, até mesmo exclusão de algumas, querem profissionais que conheçam o mundo digital, querem jornalistas preparados que saibam lidar com as mutações da internet e seus vários tipos de mídia, precisando ter uma visão multidisciplinar, com noções comerciais e de marketing.

Há os jornalistas online que traduzem as notícias impressas para a linguagem da web e, o jornalista digital, que tem sua matéria originária no âmbito da internet. Surgiu um novo nome conhecido como CiberJornalismo, que visa criar e manter blogs, mediar chats, escrever em fóruns, entre outros. Ele engloba todas as ações de criação de textos para os produtos do meio, uma redação web.

O jornalismo tradicional sofreu uma radical mudança com o crescimento do jornalismo online e, jornalistas conservadores condenam isso, acreditando em perda de espaço para esse novo meio. Desde 2007 grandes redações criaram novas edições móveis, para adaptar seu jornal aos smartphones. Como exemplos: Washington Post, USA Today e Globo Online.

Enquanto jornais e revistas, veículos tradicionais, focam em análises, textos extensos e com uma linguagem mais rebuscada, o jornalismo online está direcionado para notícias rápidas, curtas e em tempo real, como engarrafamentos nos horários e dias de pico. Há jornais que preferem um site mais “leve”, porque do ponto de vista técnico, seria mais fácil o acesso, com mais objetividade, para os leitores que não têm a prática da internet. Isso aumentaria no número de acessos.

O mundo online é instantâneo e dinâmico, com suas possibilidades de acessos por vários suportes, como celulares e notebooks, em seus slides, infográficos, vídeos, entre outros. A interação é grande, permitindo comentários, compartilhamentos e colaborações de leitores. Além de que qualquer coisa pode fazer suas publicações nas redes sociais ou em blogs.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Outra grande característica é o fato de ser multilinear, já que os hyperlinks encaminham para outras matérias, ou sites. Segundo a jornalista Pollyana Ferrari, em seu livro “Jornalismo Digital”, a internet redefiniu características do jornalismo, exigindo grandes transformações do profissional, que além de ter que publicar em variadas mídias ao mesmo tempo, precisa ter um background cultural, visto que deve ter capacidade de contextualizar a notícia e empacotar de uma forma variada para cada tipo de editorial. O jornalista tem que carregar curiosidade, excelente texto, elevados conhecimentos culturais e visão do que é relevante ou não.

As notícias se propagam nas redes sociais. Os site publicam uma matéria e ela é divulgada nas redes sociais no mesmo instante. Os usuários que se interessam pelo tema compartilham em suas páginas, multiplicando o alcance. A internet também é aliada dos jornalistas na hora de apurar. Os profissionais procuram informações nas páginas e sites dos personagens da matéria. Como exemplos tem o caso do Rene Silva e o Jornal Voz da Comunidade. Onde o morador do Complexo do Alemão postava no twitter em tempo real o que acontecia na comunidade durante a ocupação policial.

As redes sociais permitem fazer jornalismo dentro e fora das redações, não é à toa que as maiores redações do mundo têm editoriais para essas mídias. No O Globo, a editoria chama-se “Mídias Sociais e Interatividade”, tendo até um blog. No Twitter há uma conta com mais de 23 mil seguidores, destinado a ajudar jornalistas a compor suas matérias com fontes pessoais, em curto espaço de tempo. Para isto o jornalista deve enviar, no Twitter, o pedido por meio da hashtag #arpo, ou fazer o pedido por meio do site www.ajudeumreporter.com.br. Quando é feito, as fontes interessadas se comunicam para participar.

As redes não disputam com o jornalismo, mas o auxiliam em suas ferramentas, sem contar que o veículo de comunicação legítima a notícia, uma vez que tem mais credibilidade do que divulgações de internautas. Os leitores, antes receptores somente, passaram a enviar cartas, posteriormente, e-mails e, agora, participam da produção de jornais, sites, rádios e emissoras, com um jornalismo participativo em redes sociais. As pessoas ficam mais tempo nas redes sociais do que em outra mídia, portanto, é preciso atrair, conquistar, cativar o leitor.

Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O aplicativo WhatsaApp também contribui para a profissão jornalística. Veículos como “A Tribuna”, recebem centenas de mensagens por dia, de diversos assuntos, com reclamações a sugestões de pautas. Lidas, têm uma parcela enviada para os setores competentes, podendo ser expostas em seus sites. Geralmente os veículos têm contas nos principais sites de relacionamento como o Facebook e Twitter.

O Jornalismo profissional impera em links compartilhados nas redes sociais, principalmente os do Facebook e Twitter, inclusive promovendo interações entre os internautas. Isso foi notável nas eleições à presidente do ano passado, onde 61% dos links compartilhados tinham origem nas mídias, como sites de notícias locais, imprensa internacional, televisão e rádio. É interessante frisar que grandes debates virtuais têm origem em coberturas como crítica e repercussão e, a imprensa não tem seu papel final após a publicação originária, mas a periodicidade com as suítes.

O conteúdo da web é ilimitado, as redes sociais disseminam informações em tempo real, o que faz ganhar cada vez mais adeptos. Vale lembrar que as notícias jornalísticas pela internet, são distintas das divulgadas pela televisão e jornais impressos. Existe a personalização do conteúdo, dinamismo e interatividade.

O Facebook lançou há menos de duas semanas uma ferramenta gratuita de apoio aos jornalistas, para que estes observem as tendências atuais e, acompanhe, em tempo real e ordem cronológica, as histórias, os acontecimentos, pesquisar postagens e seguir canais de notícias específicos. Fotos, vídeos e postagens podem ser guardadas para uso posterior, além de poder incluir em sites externos.

Gráfico mostrando a evolução do acesso à internet pelo celular
Gráfico mostrando a evolução do acesso à internet pelo celular

O diretor de mídia do Facebook, Andy Mitchell, explicou, “ouvimos dos próprios jornalistas que eles querem uma maneira fácil de tornar o Facebook uma parte mais importante do processo de ‘newsgathering’, com a habilidade de acompanhar tendências, fotos, vídeos e posts no Facebook e no Instagram”.

De acordo com pesquisa realizada pelo Gestorda Internet no Brasil (CGI.br), desde os últimos três anos, o acesso à internet por meio dos celulares, triplicou. O que até então representava 15% dos brasileiros, hoje já chega a 47% navegando por telefone móvel, inclusive com internautas desde seus dez anos. A pesquisa indica que 83% dos que se conectam a web, têm o propósito de acessar sites de mensagens instantâneas, principalmente pelo WhatsApp e o Messenger do Facebook. Seguido os 76% que focam nas redes sociais, principalmente nas dez mais acessadas.

Com isso, fica fácil perceber que o jornalismo digital, principalmente, precisa das redes sociais e seus usuários para sobreviver. E que, os meios mais conservadores estão se adaptando ao que hoje é inevitável, a internet.

Vídeo: Ilustração

Reportagem: Aline Carrneiro
Revisão: Ana Carolina Borges
Edição: Paula Albuquerque
Ilustração: Ruth Araújo
Vídeo: Laís De Martín
Pauta: Aline Carneiro, Ana Carolina Borges, Laís de Martín, Paula Albuquerque e Ruth Araújo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s