Jornal impresso x Online: as diferenças e os desafios na adaptação de uma matéria

Um dos maiores exemplos da modernização do jornalismo na atualidade são as diversas plataformas oferecidas ao leitor para o consumo de uma produção especial. Tal avanço, inclusive, gera um debate cada vez mais constante: o jornal impresso vai acabar por conta da evolução digital? São diversas as teorias. Por quê comprar um produto impresso se na maioria das vezes é possível ler a mesma coisa na internet? Se online é de graça, vale a pena pagar pelo diário? Para entender algumas destas questões, nada melhor do que ouvir a experiência de quem lida com as duas plataformas diariamente, em conjunto.
Editor do site do Lance! desde julho de 2013, Vinicius Perazzini trabalha com foco na plataforma online, produzindo ações digitais. Porém, em determinados momentos, tem de adaptar uma mesma produção para o jornal impresso e o site. Essa ação não é tão simples como parece. O tempo do texto muda, a linguagem também. Isso sem contar com o ritmo da matéria. No diário, é mais comum que seja um texto detalhado, profundo. No site, a matéria deve ser curta e direta.
” São desafios diferentes. No impresso, é importante ter um texto que traga riqueza de análise ou estatísticas. O leitor do papel hoje usa o jornal como um documento, um guia no qual ele consulta sempre quando sente vontade. A pessoa que compra o jornal não joga fora, sempre lê aquilo algumas vezes ao longo do dia. Já no digital, é importante produzir textos curtos com precisão, sem deixar para trás informações importantes, e oferecer conteúdos agregados na nota que possam manter o leitor no site, criando um ciclo de navegação. E quanto mais page views (visualizações de páginas), mais possibilidades de sucesso financeiro na internet “, explicou o jornalista.
Materia no site
Quando a reportagem vai para o site, ela ganha novos atributos. Ao contrário do jornal, onde há um espaço limitado de uma página para as informações da matéria, no site a produção é dividida em ações digitais. Mais do que o texto, a entrevista rendeu uma galeria de fotos e um vídeo com a modelo, um bom exemplo do trabalho multimídia ao qual os veículos tem de se adequar hoje em dia.
Tal pensamento expõe a multifunção de um jornalista nos dias de hoje. Mais do que escrever matérias, um profissional deve pensar na “venda” do material (divulgação  em redes sociais), edição diversificada (de acordo com a plataforma de publicação), e muitas vezes até no retorno comercial que determinados trabalhos podem render. O retorno financeiro, inclusive, é um ponto contra a ideia de extinção do jornal impresso.
“Não acredito que o jornal impresso tenha perdido prestígio. Os consumidores de mídias no Brasil sempre apontam, em diversas pesquisas, a mídia impressa como a mais confiável do país. O que está impresso não se apaga, e isso traz credibilidade. A queda na venda dos impressos existe por conta das inovações tecnológicas e facilidades de acesso à informação pela internet. O impresso pode conseguir uma retomada se investir mais em opiniões e muito menos no factual” ,ponderou.
Bate-bola com Vinicius Perazzini, editor do site do Lance!     
Como você vê o momento do jornalismo digital no país? (Falta investimento? Estamos evoluindo junto com o mundo?)
As limitações tecnológicas da população em geral impactam diretamente na velocidade do desenvolvimento das mídias no Brasil. De que adianta criar sites responsivos sem nem todos têm 4G e o 3G é precário? Como trazer inovações com QR Code para o impresso, trazendo o leitor para o site, se poucos são os brasileiros que usam o leitor. É preciso que haja investimento em estrutura de conexão, para que, aí sim, as empresas de comunicação possam oferecem grandes inovações.
Qual a maior dificuldade para se trabalhar um texto para jornal impresso e o mesmo texto na plataforma digital?
Textos de impresso, geralmente, são longos. Quando ele vai para o digital, é preciso oferecer opções de interatividade junto, como vídeos, enquetes, galerias de fotos…
Qual conselho você dá ao jornalista do futuro?
Que veja a sua matéria não só como um simples texto, mas como um produto que está em uma prateleira e precisa ser atraente. Uma boa matéria começa com uma boa venda e roupagem.
Matéria e entrevista por : Luis Coutinho
Revisada e editada por: Dayse Ribeiro, Marielli Patrocínio e Sabrina Mattos
Pauta: Alan Ferraz e Thayane

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