Jornalismo independente na era digital

Há pouco tempo atrás, um jornalista tinha como característica base o uso de determinadas ferramentas que o transformavam em uma espécie de caricatura; víamos com câmeras, gravadores, microfones e bloquinhos de papel.

Havia, ainda, outro fator fundamental, que era a “carteirada”, ou seja, dependendo do local onde esse jornalista trabalhava ele podia ser visto por muitos como um profissional de melhor qualidade, mais famoso ou mais polêmico; em um mundo altamente conectado como o nosso, é jornalista quem o público decidir que é jornalista, essa “tendência” varia muito de contexto para contexto, de país para país, de realidade para realidade, de classe social e principalmente de veículo para veículo. Que o mundo vem se modificando com as novas tecnologias todos já sabem. Mas, o que é interessante é que com os novos meios de comunicação, ficou fácil qualquer um ser um pouco jornalista.

O profissional de imprensa não está associado somente a essas características. Eis a pergunta: Como podemos identificar quem é um jornalista no mundo digital? A resposta é tão imediata quanto complexa: todos, pois todos podem ser. Isso significa, na prática, que pessoas “comuns” – que até então não tinham qualquer contato com esse universo – acabam se tornando tão importantes quanto jornalistas “tradicionais”. Aos olhos de quem? Aos olhos daquilo que é mais sagrado para o jornalismo: o seu público.

O jornalismo multimídia praticado pelos jornalistas que vêm atuando de modo independente extrapola qualquer limite engessado pelos tradicionais formatos. Mesmo assim, ainda há público interessado. Isso ocorre pelo mesmo motivo que os leitores escolhem que jornal comprar, cada um irá escolher ler a notícia que causar maior proximidade com sua realidade.

Com isso, o público tem voltado sua atenção para esse ‘jornalismo independente’, vloggers com grande influência, podcasts sobre os mais variados assuntos e até mesmo portais mantido por profissionais que atuavam na chamada imprensa tradicional e que decidiram migrar toda sua bagagem para atuações “autônomas”, nos quais se sentem mais livres  para dialogar sobre qualquer assunto direto com seu público.

Contudo, a credibilidade dos grandes meios ainda não está abalada. Se pegarmos como referência as principais emissoras e jornais do país que foram duramente criticados durante as recentes manifestações ocorridas no Brasil, e comparamos com as mídias independentes que pipocaram na mesma época, ainda assim não há embasamento para afirmar que a imprensa tradicional perdeu credibilidade, por aqui ela ainda mantém certo nível de integridade e respeita as regras do jogo jornalístico de maneira clara.

Logo, a marca pessoal dos jornalistas têm ganhado notoriedade em um ritmo muito mais acelerado do que o dado pelos grandes veículos quando o assunto é inovação, sobretudo no digital. Vale o alerta para que as empresas incentivem aqueles que pretendem contribuir para o aumento no número de jornalistas eleitos pelo público. Quem quer ser jornalista, mais do que nunca, tem que fazer por merecer.

Reportagem: Vanessa Santana e Letícia Nascimento
Revisão: Jéssica de Aguiar
Edição: Aline Lopes
Pauta: Kenya Valeriano
Foto: Kenya Valeriano

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