Como o Jornalismo Colaborativo alterou a forma de se fazer jornalismo na web

É claro que a participação do público sempre esteve presente na produção de notícias. Afinal, a equipe de repórteres de um jornal nunca pode estar presente em diversos lugares ao mesmo tempo, para cobrir os mais variados fatos, por maior que ela fosse. Então as pessoas ligavam para a redação, ou enviavam cartas. Ainda que em escala menor, o chamado jornalismo colaborativo sempre existiu. Mas o webjornalismo fomentou esse processo a ponto de alterar o chamado fazer jornalístico tanto quanto os critérios de noticiabilidade.

A forma de se fazer jornalismo mudou porque, graças ao advento da internet e das novas tecnologias, os jornais perderam o status de ‘’ donos da informação’’, uma vez que o receptor também é detentor dela. De acordo com o artigo O cidadão é o repórter? Uma análise do webjornalismo participativo na Tribuna do Norte, apresentado no XXXII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, ‘’ Os jornais precisaram se adaptar ao novo comportamento do usuário de internet e entender que o esquema emissor-meio-mensagem-receptor foi alterado com a participação da audiência na produção de conteúdo’’.

E com a alteração desse esquema, as redações não mais recebem um feedback, como quando a colaboração do cidadão era feita por meio de telefone ou carta, e sim uma interação que resulta em produção conjunta de conteúdo. ‘’ A audiência passou a ter um poder nunca antes visto desde a descoberta dos tipos móveis por Gutenberg e isso afetou o monopólio dos meios de comunicação, que detinham o poder sobre a propagação de informação’’.

Na medida em que afetou o monopólio dos meios de comunicação, muitos deles passaram a reconhecer a importância desse conteúdo e encontraram como saída ‘’ proporcionar a oportunidade para que sua audiência pudesse se manifestar, produzindo informações e as publicando em seus sites’’. E é claro que a internet possibilita uma interatividade muito mais efetiva diante de outras mídias.

No webjornalismo participativo, o usuário tem uma colaboração que interfere de forma direta no conteúdo exposto no site e por isso essa é uma questão amplamente discutida nos dias de hoje. ‘’ Alterada a função transmissionista, a pessoa do emissor é descentralizada, passando a existir a interação mútua proporcionada pelos meios tecnológicos’’.

E essa interação mútua que sempre existiu e que atualmente parece ressaltar-se é necessária. A professora de Comunicação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Ana Lucia Vaz, não imagina a produção jornalística sem a participação do cidadão, “É como perguntar qual o papel da saúde no trabalho do médico”.

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Foto: Blog ”Por aí variedades”

Texto: Carolina Rodrigues

Revisão: Beatriz Santos

Edição: Paulo Vitor Vasconcellos

Foto: Clarice Frauches

Pauta: Thiago Nunes e Cynara Costa

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