Vencedora do Prêmio Esso explica a experiência de estar em meio ao “fogo cruzado”.

A vida de jornalista não é fácil. Muita das vezes, o profissional se arrisca para levar informação com qualidade para o público e hierarquizar as informações é um procedimento essencial nas atividades deste ramo. A vencedora do Prêmio Esso de Telejornalismo de 2009 Mônica Puga, contou como que foi o processo de adiar a pauta prevista para cobrir a ação de manifestantes do Complexo da Maré em meio a uma via bastante movimentada do Rio de Janeiro: a Linha Vermelha.

De acordo com Mônica, sua equipe estava indo cobrir um evento no RioCentro na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, quando no meio do caminho houve a ação dos manifestantes e logo após da polícia. A equipe que contava com ela, o assistente de câmera Alex Oliveira e o repórter cinematográfico Junior Alves não perdeu tempo e ligou rapidamente pro chefe de reportagem, que concordou que eles saíssem da pauta para cobrir de pertinho o fato.

Qual foi a sensação de ter vencido o Prêmio Esso de Telejornalismo pela notícia do “Confronto na Linha Vermelha”?

Mônica: De muita alegria, até porque este é o prêmio principal do jornalismo. Esse mérito não é só meu como também de toda a equipe. Eu, o Alex e o Junior na hora tivemos muita sincronia e demos o nosso melhor para oferecer material de qualidade para o público. O ponto que eu acho que deve ser levado em consideração é que esta matéria foi totalmente factual, sem pretensão nenhuma de vencer o prêmio.

Como foi que vocês chegaram lá e a apuração?

Mônica: Estávamos indo para um congresso sobre armas no RioCentro passando na Linha Amarela bem em cima da Linha Vermelha. Alí, reparamos que estava tendo um protesto e como nossa equipe era muito interessada, nós tínhamos muita visão do que estava acontecendo. Ligamos para o nosso chefe de reportagem, conseguimos a autorização e fomos a primeira emissora que cobriu em primeira mão todo aquele protesto, a ação dos policiais e ficamos até em meio ao fogo cruzado. Além disso, após cinco minutos do ocorrido a comitiva do presidente Lula vindo do Aeroporto Internacional passou pela Linha Vermelha para poder fechar os acordos para as olimpíadas que acontecem no ano que vem e por pouco, o presidente não ficou neste fogo cruzado.  Na apuração conseguimos os depoimentos de moradores, das pessoas envolvidas na manifestação e da polícia

Conte a experiência de estar em meio ao fogo cruzado.

Mônica: Ah, de muito medo. Estava apavorada, mas não podia deixar transparecer isso. Na hora em que ficamos ao lado dos policiais, o Junior me olhou e ele sabia que eu iria começar a falar. A nossa sincronia estava muito boa. Na hora em que ele terminou de gravar as imagens de apoio que a gente se olhou, eu comecei a falar e a bala ricocheteou perto da gente. Mesmo com muito medo a nossa equipe foi profissional, pois prezávamos por isso e o resultado foi esse Prêmio. Somos muito gratos por isso.

Matéria e entrevista por : Dayse Ribeiro
Revisada e editada por: Dayse Ribeiro, Marielli Patrocínio e Sabrina Mattos
Pauta: Alan Ferraz ,Thayane Ferreira e Luis Coutinho

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