O Jornalismo de Moda no Brasil

Aos 25 anos, a editora chefe do Portal FFW (um dos sites mais procurados por quem quer se informar sobre cultura de moda), Camila Yahn, descobriu a paixão pela profissão com a ajuda da jornalista Erika Palomino. Hoje, aos 40, é considerada referência quando o assunto é jornalismo de moda. Cami, como é chamada pelos amigos, atua também como professora da Escola São Paulo, diretora criativa e fundadora do Pense Moda, seminário que reúne profissionais nacionais e internacionais há dez anos. Além dos quatro na edição do caderno de moda da Folha de S.Paulo ao lado do editor Alcino Leite Neto. Na entrevista, a jornalista Camila Yahn, conta sobre o começo da carreira, a relação com a moda e dá dicas para quem está começando.

CamilaYahn

Repórter: Como começou sua carreira?

CY: Eu queria ser atriz e trabalhar com teatro e cinema. Na paralela, tinha amigos que eram estilistas, produtores, etc, mas nunca imaginei em ter a moda como trabalho. Conheci a Erika Palomino em uma festa, na época ela era colunista da Folha de S.Paulo. Nós ficamos amigas e eu fui morar em Londres. Quando voltei para o Brasil, fui a uma festa e mandei um email para ela relatando a noite, quase como uma redação mesmo, com diversos detalhes, de forma que ela sentiu que eu tinha um olhar legal, de alguém que pudesse trazer essas notícias. Ela então me ligou e me convidou para trabalhar com ela. Fiquei lá por cinco anos.

Repórter: Qual é sua opinião sobre a discussão da formação de jornalista para escrever sobre moda?

CY: Não sou formada em jornalismo e nem moda, sou formada em artes cênicas. O jornalismo na minha vida foi uma coisa que aconteceu. Sempre gostei de ler e escrever, sempre tive essa facilidade Eu comecei a trabalhar com a Érika Palomino e desde então não parei mais.Eu me acho capacitada sim, por todo o trabalho que fiz e faço, pela qualidade bacana dos meus textos em realizar esse trabalho de jornalista. Tudo é uma questão de saber olhar lá na frente, de captar uma tendência ou entender um momento. Podem existir pessoas que estudaram dez anos e ainda assim não tem essa aptidão do olhar. Na verdade é um espaço que você vai ter que ir conquistando aos poucos, se você tem qualidade você é reconhecida.

Repórter: Prefere dar aula ou atuar como jornalista?

CY: Ai, amo fazer os dois. Eu adoro as aulas, tenho a oportunidade de fazer valer mesmo tudo o que aprendi, de fazer a diferença na vida de alguém, ensinando ou inspirando. Claro, não é com todos os alunos que acontece essa identificação, mas com muitos rola e é maravilhoso. Como jornalista eu tenho a possibilidade de ser uma curadora, de colocar no veículo, no caso o FFW, um pouco de como eu enxergo as coisas.

Repórter: Do seu ponto de vista, como o jornalismo de moda é considerado atualmente?

CY: Ainda é considerado algo fútil. Mas acredito que a indústria da moda não precisa provar mais que não é fútil. Isso é conversa do passado. É uma indústria que emprega centenas de milhões de pessoas no mundo todo e lida com diversas questões que envolvem o social, a política, os negócios, a capacitação de pessoas em comunidades carentes. Não é só a “modinha” da estação, as regras de estilo, as roupas caríssimas, os eventos Vips. Isso existe, claro, e é o que ainda enfeitiça as pessoas, as fazem terem vontade de participar, de viver aquilo. Tem um lado fútil sim, mas aí isso – e a vaidade- também existe na música, na arte.

Repórter: Quais são as dicas para quem quer seguir a área de jornalismo de moda?

CY: Devorem jornais, revistas, sites, blogs,livros, filmes, exposições. Aproveitem enquanto jovens para se informar, aprender e absorver de tudo que se passa ao redor. Ser culto, e saber de tudo um pouco é de extrema importância. Um bom jornalista não pode ser alienado. O trabalho é cansativo, e não glamuroso como certas pessoas pensam. Como em todos os lugares, encontramos também na moda pessoas arrogantes, “que se acham”, que desmerecem quem está em uma posição mais baixa, etc, mas isso não é um comportamento da moda e sim individual. Não tenham medo nem vergonha de se aproximar de alguém que vocês admiram, de aproveitar uma oportunidade para pedir um trabalho ou um contato para enviar currículo. Busque experiências, pois são elas que irão formar a nossa bagagem. Temos que fazer coisas chatas de vez em quando, como em qualquer área, mas tudo é aprendizado.

Entrevista: Lucas Pedrosa
Texto: Beatriz Chueri
Revisão e publicação: Amanda Martins

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