João do Rio: O Jornalista da Alma Carioca.

Nascido João Paulo Emilio Cristovão dos Santos Coelho Barreto, chamado de Paulo Barreto ou apenas João do Rio, como ficou conhecido, foi um jornalista de destaque no início do século XX que soube como retratar, em suas crônicas e grandes reportagens, a alma da cidade de São Sebastião.

A partir da observação direta da vida e da linguagem de diferentes grupos sociais do Rio de Janeiro no começo do século XX, seu olhar atento desenvolveu importantes registros históricos no jornalismo sobre figuras da cidade como prostitutas, barões, trabalhadores do cais do porto, cocotes e dândis.

Uma cidade moderna nascia, com as modificações do Prefeito Pereira Passos iniciadas em 1903, e o jornalista conseguia perceber a tensão em que viviam todos esses grupos na cidade. Sabia ele apresentar a cidade embelezada que surgia e também a sombra de exclusão produzidas por essas transformações.

Seu faro investigativo percorria espaços sociais diversos na cidade – terreiros de umbanda e candomblé, igrejas, cabarés,Untitled 2 cortiços, favelas, palácios, presídios – com sua forma literária porém bastante informativa de escrever, João do Rio conseguia colocar em exposição realismo e sensibilidade.

Iniciou seus trabalhos como jornalista, aos 16 anos de idade, no jornal Cidade do Rio, ao lado de João do Patrocínio, em 1897. Negro e homossexual assumido, em uma época em que, assumir identidade racial e de gênero, era quase que visto como crime, obteve seu primeiro grande sucesso jornalístico com a série de reportagens “Religiões do Rio”, publicadas no jornal Gazeta da Cidade, em 1904.

Considerado o primeiro jornalista brasileiro a assinar reportagens modernas, para construi-las João do Rio ia às ruas buscar suas inspirações. Para isso ele dizia que ser necessário saber “flainar” pelas ruas e capturar suas imagens, pessoas e pequenas cenas do cotidiano. “Um exercício que envolvia não apenas a atividade jornalística ou literária, mas também a de historiador. Barreto fez do cotidiano da cidade e de seus tipos sociais documento.” analisa a historiadora Fernanda Marques.

Com toda essas inspiração pelas ruas do Rio de Janeiro, publicou em 1908 o livro “A Alma encantadora das ruas” onde assumiu definitivamente sua postura investigativa e inovadora não só no jornalismo como na literatura.

Untitled 3Editado dezenas de vezes ao longo do século XX, “A Alma encantadora das ruas” é o livro mais conhecido do jornalista carioca. Nele apresenta a alma da cidade carioca com crônicas-reportagens que mostram a essência da identidade carioca. Na abertura denominada “A rua” cita que “Há suor humano na argamassa do seu calçamento…Oh! Sim, a rua faz o indivíduo, nós bem o sentimos.” Um convite a “flainar” com o narrador, que leva o leitor a penetrar nos fragmentos da cidade do Rio de Janeiro no início de um século de trouxe transformações urbanísticas e sociais sentidas e vividas até hoje.

Texto: Priscilla Guerra

Revisão: Felippe Naus e Mariana Moraes.

Edição: Nadine Giffoni

Foto: Priscilla Guerra

Pauta: Felippe Naus, Mariana Moraes, Nadine Giffoni e Priscilla Grasso

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s