O novo telejornalismo

O surgimento e a popularização da internet geraram diversas mudanças no século XXI. E no telejornalismo não foi diferente. Com a necessidade de se adaptar ao novo modo de vida, o telejornalismo precisou lançar mão de novas estratégias para prender o telespectador. E essas mudanças passam por todas as etapas de produção de conteúdo para a tv. As emissoras deixam de lado o modelo tradicional de produzir notícias, e passam a ter a internet cada vez mais presente, como um aliado na interação com o público.

Com o crescimento da considerada classe c, os telejornais precisaram se reinventar e buscar estratégias para se aproximar desse público, que gosta de se sentir parte do jornal. Ou seja, foi preciso interagir com esse novo telespectador e dar espaço para que ele também possa acrescentar conteúdo. Mas, isso só é possível graças à internet, que facilitou essa troca e faz com que qualquer um possa produzir conteúdo. Vale lembrar, que os telejornais cada vez mais utilizam das redes sociais para estar aonde só a população é capaz de estar, criando um novo canal de comunicação com o público.

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O estilo sério do jornalista já é do passado

As mudanças sofridas não param por aí. Os jornalistas também precisam se adaptar. Atualmente, o profissional precisa realizar diversas funções e não se limitar mais em ser só um editor ou um repórter. Com as redações cada vez menores e as tecnologias que possibilitam que o trabalho seja mais prático e rápido, o número de profissionais reduziu e um funcionário realiza diversas funções em um telejornal. O professor de telejornalismo da Universidade Veiga de Almeida, Gustavo Lacerda, conta que a recessão econômica interferiu diminuição da contratação de profissionais. “Hoje, as emissoras preferem contratar profissionais jovens. Normalmente, os profissionais que estão saindo das universidades, já produzem e editam, ou operam a câmera e são repórteres, eles dominam várias áreas. E com a internet, plataformas que facilitam o fazer jornalismo, ajudam esse profissional a já sair da universidade preparado para esse modelo.”

A parte de produção não foi à única que precisou se adaptar para esse novo modelo. Os apresentadores dos telejornais, que antes em sua maioria apenas apresentavam a notícia, precisaram se tornar âncoras e interagir com o público. A figura do apresentador sério e isento fica de lado e o telejornalismo se alia muitas vezes ao entretenimento, juntando a notícia com novos elementos para aproximar cada vez mais o telespectador. “Os apresentadores ficaram de pé, dá um certo frescor em alguns telejornais, mas não acredito que seja uma mudança de fato, uma tendência para todos. Diferentemente da postura em dar opinião. O telespectador não quer que o repórter ou o apresentador apenas relatem os fatos como eles são. Além de ver e ouvir, querem uma reflexão sobre determinado assunto”, conta a repórter e jornalista Cândida Oliveira.

Foto Cândida Oliveira
O espectador quer alguém com quem se identificar, como explica a repórter Cândida Oliveira

O telespectador espera essa mudança tanto no apresentador, quanto no telejornal como um todo. O Whatsapp se tornou uma importante ferramenta para as emissoras e para o público. Os jornais conseguem receber informações de forma rápida e de locais que para uma equipe está seria impossível ou demoraria algum tempo. Enquanto o público, se sente mais ouvido, com mais voz e cria uma proximidade com o telejornal, querendo participar e gerar informação.

E não é só nas redações que esse novo formato está ganhando força. Nas Universidades também há uma mudança na forma de ensinar. O professor Gustavo Lacerda, explica como é preciso modificar o forma de ver e de fazer jornalismo na tv. “Hoje temos que ensinar para dois tipos de profissionais, o que vai trabalhar nas emissoras tradicionais e nas mídias digitais. Esse é o grande desafio de ensinar”, explica O professor Gustavo, que ainda lembra que é importante conhecer o modelo tradicional, que muitas vezes ainda se mantém em alguns veículos.

Deixando cada vez mais de lado o modelo tradicional, o digital é uma nova possibilidade de fazer telejornalismo. E para algumas pessoas, o telejornalismo em breve estará mais presente na internet. Para a jornalista Cândida, assim como na Era do Rádio que foi substituído pela TV, e que teve uma demora para que todos tivessem acesso de fato à televisão, com a internet vai acontecer da mesma forma. Irá se popularizar cada vez mais e tomar o mercado. “Agora com a internet, conseguimos assistir as programações televisivas de qualquer lugar. Acredito que a revolução se dará quando o sinal da internet melhorar, e estiver acessível em todos os cantos do Brasil e do mundo, para todas as classes. A internet é um mundo sem limites. A produção de conteúdo pode ser feita por qualquer pessoa e jogada a rede. Muitos dizem que será o fim do telejornalismo. Não acredito nessa hipóteses. Creio que o mercado vai se expandir. ‘Telejornais’ exclusivos na internet.”

O futuro do telejornalismo ainda é incerto. A possibilidade de migrar para a internet é uma das hipóteses que os profissionais da área acreditam. E que os profissionais de hoje, precisam estar atentos a essas mudanças e buscar sempre se adequar as novas tecnologias que facilitam o trabalho do jornalista. Porém, ainda possuem uma visão positiva dos rumos que a TV irá tomar. Que assim como o rádio, que não deixou de existir por causa da TV, a televisão não desaparecerá por causa da internet. E sim, se unirão e uma somará com a outra.

EXPEDIÊNTE


Texto: Bárbara Castro

Foto e Produção: Mariana Guedes

Edição: Iago Moreira

Pauta: Renata Moraes e João Cerqueira

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